Meia-dúzia
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| Introduction | O Meia-dúzia passa os dias pelas ruas imundas da cidade vendo todo tipo de coisa estranha. Apesar de ter visto muito em sua vida curta de cão, ele ainda não se acostumou com o que vê. Às vezes fica deslumbrado com a cidade, às vezes inconformado, certo é que quer se ver fora dali, mas algo na sua condição de cachorro ainda o impede de efetivar sua partida. Isso talvez tenha feito dele um cão um pouco sarcástico e, às vezes, cínico. Mas ele consegue ser feliz, ter uma felicidade singela, quase imperceptível, porque não está materializada em nada de concreto, como costumam imaginar a gente da cidade onde mora. Por não possuir nada, por não estar comprometido com nada, por não ser nem mesmo um cidadão, ele não tem ao que se apegar, e isso lhe dá olhos bons para ver as coisas. É certo que a sarna e as pulgas às vezes incomodam; é certo também que a comida nem sempre é garantida; é verdade que vive tomando pontapés e escapando por um triz de ser atropelado; mas ele não troca sua liberdade por nenhuma segurança, como os cães domésticos. |
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